quinta-feira, 29 de março de 2007

boas surpresas!!!

Hoje acordei de péssimo humor! Assim que abri os olhos, pensando libertar-me dos meus pesadelos, dei de caras com a realidade das preocupações que ultimamente me atormentam. São questões existenciais, cuja reflexão (ou perda de tempo, como se queira encarar) provavelmente, conseguirá levar-me a parte alguma, na melhor das hipóteses. Mas, enfim... após um grande esforço, consegui vencer a enorme vontade de me manter na cama o dia todo, a fazer absolutamente nada, não dava mesmo, tinha algumas responsabilidades para cumprir...
Foi então que, quando estava eu, sentada na minha cama (já feita) a fazer nada, em vez de cumprir com as tais obrigações, bateram à porta do meu quarto. Era alguém com um envelope amarelo, onde figurava o meu nome no lugar do destinatário. Primeiro fiquei surpreendida, pois não estava à espera de correspondência, depois pensei que fosse uma carta do Luxemburgo. Olhei para o canto e vi que o selo tinha dos ctt da Univ de Coimbra... era mesmo... só podia ser... era uma carta do meu anjinho. O meu humor alterou-se instantaneamente!
Com uma alegria própria de uma criança que recebe uma prenda, abri apressadamente o tal envelope, e de lá tirei um papelinho verde com as suas palavras...
Sabes que me assustei com as tuas primeiras palavras, mas eram só palavras, e como eram tuas, eu compreendia-as logo a seguir. As lágrimas rolavam sem que eu tivesse, sobre elas qualquer controlo, chorava talvez, porque sentia cada uma das tuas palavras como se fossem minhas, como se lesses a minha mente ("I don't mind if you don't mind, I don't shine if you don't shine. Before you jump tell me what you find when you read my mind..."), e , sim, o que escreves tem muito eco cá dentro, tu própria tens um lugar sagrado aqui.
Mas a causa desta emoção está muito longe das palavras. As palavras são nada, reduzem-nos e eufemizam o que sentimos, perturbam o equilíbrio da lâmina afiada daquilo que sentimos, tira-nos o prazer de sentir o frio do aço a cortar-nos a pele da solidão para deixar sair isto que a gente tem e que não sabe dizer o que é. Mas também não importa o definir. Nós somos o que somos, e o que temos é tão grande e faz-nos tão maiores que palavras e definições, que a necessidade de entender perde-se no caminho até nós.
Apetece-me dizer-ta tantas coisas ("There are many things that I would like to say to you, but I don't know how") mas tudo o que te posso dizer é composto por palavras, por isso, fico por aqui e vou só ser eu, tu sabes o que isso significa.

quarta-feira, 28 de março de 2007

surpresas más

As pessoas que supomos conhecer acabam sempre por nos surpreender, mais tarde ou mais cedo, de uma maneira que acaba por acordar-nos para a realidade de que, se calhar, não as conhecemos assim tão bem, como julgávamos.
Hoje aconteceu isso. Eu, que acreditava conhecer o meu amigo, acordei para ver que, afinal, não! Porque estava o meu amigo à espera que eu concordasse com ele, quando difamava alguém que eu amo? Porque acreditava que eu ia discutir com ele avida de alguém que nem sequer presente estava, e sobre quem não tem qualquer direito? Dói-me o que fez, a forma como disse o que disse. Magoa-me a meneira como ouvi falar de uma pessoa tão especial, principalmente dada razão que trouxe ao assunto a tal pessoa ali ausente, no momento.
E o que me entristece, é que nas costas do meu anjinho eu vejo as minhas. Que dirá o meu amigo de mim? Que pensa ele de mim? "Conheço-te muito melhor do que o que pensas..." disse ele no meio do seu insultuoso discurso, "E eu junlgava conhecer-te melhor. Vejo que estava enganada." respondia eu na minha tristeza de acordar.
Como dizias tu, meu anjinho, eu também não sei porque as pessoas ficam contentes por acordar, eu fico triste.

quinta-feira, 22 de março de 2007

meu anjinho

Dada a razão de abertura deste blog, nada mais justo do que iniciar as minhas reflexões, precisamente sobre mim e o meu anjinho...
Eu poderia começar aqui a descrever um monte de sentimentos nobres e profundos que nutro por este ser silenciosamente apaixonante, mas não. Vou antes descrever o que não sinto. Não sinto medo de gostar tanto assim; não me custa encostar a cabeça ao seu ombro e dizer-lhe, sempre que tenho vontade, "Gosto tanto de ti!"; não sinto ciúmes das pessoas que possam estar perto, em vez de mim, não tenho ansiedade de estar na sua companhia; não acho pouco este sentimento bonito que temos, porque, e citando as suas palavras, mesmo correndo o risco de as profanar "fantástico sentir por alguém sobre quem não temos nenhum direito natural"; não sinto tristeza por esta pessoa não me ser nada, ser só o que é, e que para mim, é já tanto; não tenho dúvidas quanto à reciprocidade destas emoções tão subtis, e não me queimarei se puser as mãos no fogo por isso.
Que mais não sinto eu por ti, meu anjinho? Que dirias tu?
Tu que és, aparentemente tão racional, com uma atitude tão sóbria... Tu não dirias nada, palavras são somente palavras, não é verdade? São apenas meros artefactos aos quais recorremos frequentemente na prática da comunicação, são ilusórias e confusas e, tantas vezes, origem de desencontros eternos. Não gosto de palavras, gosto de ti, só assim. Ainda que também o comunique por palavras, tu sabes mesmo na ausência delas. Eu existir é uma forma de comunicação suficiente para que saibas disso, que te amo numa quantidade que é impossível definir.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Porque...

Bem, vamos começar...
Eu tenho 21 anos. Quando tinha cerca de 16 tive a minha saudável crise de adolescência. Foi uma época controversa, como não poderia deixar de ser, mas, apesar disso, foi uma época muito fértil, literariamente falando. Lia imenso, consumia tudo, bom, mau, intermédio, indefinido, mesmo tudo! Como feedback, também escrevia imenso e, a meu ver, muito bem, muito melhor do que estes romances light que agora estão muito na moda!
Acontece que por acaso, ou por obra de determinadas circunstâncias, erros de percurso que não me apetece relembrar, deixei subitamente de escrever...
Passaram alguns anos e conheci alguém que me faz sentir pena de já não saber escrever como o fazia nessa altura. Este meu anjinho escreve muito bem, as poucas palavras suas que tenho em papel estão, sem dúvida, entre as melhores que já li...
Então decidi criar este blog só mesmo para praticar a minha escrita, não para escrever bem, como o meu anjinho, só mesmo para conseguir voltar a fazer como fazia antes, e poder responder às suas cartas...