Dada a razão de abertura deste blog, nada mais justo do que iniciar as minhas reflexões, precisamente sobre mim e o meu anjinho...
Eu poderia começar aqui a descrever um monte de sentimentos nobres e profundos que nutro por este ser silenciosamente apaixonante, mas não. Vou antes descrever o que não sinto. Não sinto medo de gostar tanto assim; não me custa encostar a cabeça ao seu ombro e dizer-lhe, sempre que tenho vontade, "Gosto tanto de ti!"; não sinto ciúmes das pessoas que possam estar perto, em vez de mim, não tenho ansiedade de estar na sua companhia; não acho pouco este sentimento bonito que temos, porque, e citando as suas palavras, mesmo correndo o risco de as profanar "fantástico sentir por alguém sobre quem não temos nenhum direito natural"; não sinto tristeza por esta pessoa não me ser nada, ser só o que é, e que para mim, é já tanto; não tenho dúvidas quanto à reciprocidade destas emoções tão subtis, e não me queimarei se puser as mãos no fogo por isso.
Que mais não sinto eu por ti, meu anjinho? Que dirias tu?
Tu que és, aparentemente tão racional, com uma atitude tão sóbria... Tu não dirias nada, palavras são somente palavras, não é verdade? São apenas meros artefactos aos quais recorremos frequentemente na prática da comunicação, são ilusórias e confusas e, tantas vezes, origem de desencontros eternos. Não gosto de palavras, gosto de ti, só assim. Ainda que também o comunique por palavras, tu sabes mesmo na ausência delas. Eu existir é uma forma de comunicação suficiente para que saibas disso, que te amo numa quantidade que é impossível definir.