quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Quem és tu...

Fecho os olhos para te ver e é assim só que consigo! Procuro o que já não és ou que nunca foste mas só te encontro de olhos fechados, se olhar para ti. Quando olho para trás, para o que ainda há pouco foi, parece-me tão distante que quase deixo de acreditar que foi de facto real. Como é possível que tudo tenha ficado tão diferente... Queria, ao menos entender o que mudou... Mas será que isso é importante agora?
Queria, de volta, aquela inocente vontade de sorrir... E a secreta segura certeza, mas não sei onde a deixei contigo ou com aquilo que nunca foste.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Os teus olhos

Porque não choras quando te dói?

Porque te escondes por trás de uma força que não queres ter?

Os teus olhos atentos e brilhantes

Já não brilham como dantes

E, ao fecharem-se, calam os ais

Das palavras que, como punhais,

Te feriram o olhar.

Não te escondas mais!

Revolta-te, grita

E agita

A terra por baixo dos teus pés;

Reclama

Até com o chão que te sustenta,

Com o corpo que carrega a alma,

Depois, volta a ficar atenta

E calma…

Que o brilho dos teus olhos volte

E não parta nunca mais!

Ontem estive a ler as tuas cartas. A minha dúvida faz-me mal. Parece que há algo a forçar-me a entender, afinal, qual o perigo que carregamos. “O simples facto de sermos é bastante”, mas… É verdade que não preciso de palavras para isto que a gente tem, mas… Às vezes, ferem-me, as tuas palavras, e eu tento defender-me delas, mas, com as defesas, surge a dúvida, que, tantas vezes, me faz falhar. You should read my mind! Why don’t you? Do you?!

Que foi que aconteceu? Que é feito de nós? De onde veio este pouco “à vontade” para dizer que gosto de ti?

Reparo agora que são só perguntas… que treta de reflexão a minha que, em vez de conclusões, só gera mais dúvidas! e eu, sem saber como ou com quem esclarecê-las…

sábado, 19 de maio de 2007

Há ocasiões na sucessão dos momentos do quotidiano em que a própria vida se faz canção. Indescritíveis horas de graça em que o infinito se debruça sobre a frágil argila humana.

Um silêncio, uma palavra. A poesia do sol nascente ou a nostalgia do entardecer. A frase de um livro, as notas suaves de uma canção-ternura que ferem a nossa sensibilidade e acordam felizes vivências de outrora. A linguagem das flores, o canto dos pássaros, a chuva suave tamborilando poemas nas vidraças das janelas. Coisas pequenas que trazem mensagens tão grandes. Acontecimentos miúdos que falam tão alto e tocam tão fundo! Coisas de quase nada que sintetizam o mistério de quase tudo.

Indescritíveis e singelos momentos que colocam dentro de nós um pouco de céu, de verde, de azul. O verde da esperança. O azul do entusiasmo. Um rasgo de eternidade.

Há momentos na vida em que a própria vida se faz poema, canção. Mas é preciso estar atento, sem pressa, porque o essencial não tem horário certo, agenda marcada. Para captar o mistério, o fluxo e refluxo do quotidiano é preciso estar atento, disponível, naquela expectativa de quem aguarda a mais querida das visitas.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Hoje, a caminho de casa, vi no chão uma ave morta. Estava no meio da rua. Não tinha morrido há muito tempo mas, de ser constantemente pisada pelos carros que passaram, o seu corpo parecia já em decomposição. A cor, outrora brilhante, das penas confundia-se agora com o sujo escuro do alcatrão. Não haveria ali qualquer resto de vida esquecida pelo tempo, ainda curto, desde o acidente fatal que lhe ceifou o voo.

O que me chamou a atenção nesta imagem, à partida de todo banal, foi a forma como, do corpo morto, se erguia, como uma bandeira, uma das asas do animal. Por acaso, ou não, a forma como os carros pisaram aquele corpo no chão, fez com que a asa se levantasse (ou continuasse levantada apesar da morte eminente). Esta era a forma como aquela avezita, já morta, fazia perdurar a sua energia vital, a força para voar já não existia mas a asa continuava estendida...

Lembro-me agora d’ “O Corvo” de Edgar Allan Poe, que caiu morto no chão, de onde a sua alma não se levantará jamais... Será que não? Será mesmo que a vida do corvo acabou ali, no chão, assim que o calor do seu pequeno corpo se dissipou no escuro dessa noite fria? Eu não acredito na Metafísica, mas também não quero acreditar que a alma do pobre corvo acabou ali.

Alguém disse, um dia, que o amor é mais forte que a morte. É nisso que eu quero acreditar. E outro alguém, ainda, disse que a eterna inocência é amar. Então, quem mais amava do que aquela avezita que agora jazia morta no meio da rua? Aquela que sem sequer sentir, sem pensar, abandonou num ápice a trajectória que levava e foi depositar, junto com o frágil corpo, a vida no chão sujo do alcatrão... Se eu te amar com a inocência infinita daquela ave, amar-te-ei para sempre, para além da tua vida ou da minha. Se formos para longe e eu nunca mais te vir, se o meu coração parar, ou o teu, isso serão somente detalhes sem importância, bem menores que isto que a gente tem!

terça-feira, 17 de abril de 2007

Uma chuva anunciada!

O céu, lá fora está cinzento, a chuva faz-se anunciar.
O meu humor está como o céu, taciturno e vacilante. Hoje estive a pensar sobre o tempo. Como seremos nós daqui a 2, 3 anos? Haverá alguém neste preciso momento capaz de dizer, com relativa certeza, algo sobre aquilo em que nos tornaremos.

A minha resposta chegou violenta, sob a forma de um raiar claro sob as cinzas nuvens, e um som forte de trovão, a chuva ja não demora, decerto.
Se calhar ninguém sabe mesmo...
De que será capaz o tempo? Que mal ou bem nos fará? E a isto que a gente tem agora, e que somos capazes de jurar que não acabará nunca, também se afectará com este tempo cruel que nunca pára e nos vais (des)gastando cada dia mais um bocadinho? Cada vez que procuro uma destas respostas invede-me uma tristeza imensa pela minha impotência de acudir aos meus próprios devaneios. Como dizia o Caeiro, mais vale mesmo, é não pensar... de que me serve esta angústia, este medo do que há-de vir?

O vento bateu na minha porta e abriu-a. A sua melodia, ha pouco, triste, deu lugar a um assobio forte. A este rugido junta-se o murmurar das folhas, ainda jovens, das árvores do jardim, que ainda há pouco acordaram com o apelo da Primavera. Este murmúrio diz-me muito. o dilúvio está prestes a rebentar mas, estas folhas, no apogeu da sua juventude não estão minimamente preocupadas! Elas acabaram de despontar, e, por enquanto, haverá sempre um amanhã, por isso, continuam a agitar-se como se sobre elas brilhasse, na verdade um sol de Verão.

As comportas abriram finalmente! A chuva já cai destemidamente a lavar o pó das folhas, que, agora estão quietas e desfrutam apenas deste banho refrescante. Nelas não há preocupações nem canseiras. É Primavera e elas têm a certeza que a chuva passa, e depois regressará o se murmúrio, a sua vida, lavada pelas gotas revitalizantes desta chuva, mais brilhante que o próprio Sol.

Com esta lição das folhas, passou o meu humor taciturno e vacilante (ou terá sido com a chuva, que me lavou a alma?). Invadiu-me também uma certeza, que me faz sorrir e ficar feliz como uma criança. Tu estás aí para mim, como eu estou sempre aqui para ti!

"What a feeling in my soul! Love is brither than the sunshine. Let the rain fall, I don't care: I'm your's and suddently you're mine!"

quinta-feira, 29 de março de 2007

boas surpresas!!!

Hoje acordei de péssimo humor! Assim que abri os olhos, pensando libertar-me dos meus pesadelos, dei de caras com a realidade das preocupações que ultimamente me atormentam. São questões existenciais, cuja reflexão (ou perda de tempo, como se queira encarar) provavelmente, conseguirá levar-me a parte alguma, na melhor das hipóteses. Mas, enfim... após um grande esforço, consegui vencer a enorme vontade de me manter na cama o dia todo, a fazer absolutamente nada, não dava mesmo, tinha algumas responsabilidades para cumprir...
Foi então que, quando estava eu, sentada na minha cama (já feita) a fazer nada, em vez de cumprir com as tais obrigações, bateram à porta do meu quarto. Era alguém com um envelope amarelo, onde figurava o meu nome no lugar do destinatário. Primeiro fiquei surpreendida, pois não estava à espera de correspondência, depois pensei que fosse uma carta do Luxemburgo. Olhei para o canto e vi que o selo tinha dos ctt da Univ de Coimbra... era mesmo... só podia ser... era uma carta do meu anjinho. O meu humor alterou-se instantaneamente!
Com uma alegria própria de uma criança que recebe uma prenda, abri apressadamente o tal envelope, e de lá tirei um papelinho verde com as suas palavras...
Sabes que me assustei com as tuas primeiras palavras, mas eram só palavras, e como eram tuas, eu compreendia-as logo a seguir. As lágrimas rolavam sem que eu tivesse, sobre elas qualquer controlo, chorava talvez, porque sentia cada uma das tuas palavras como se fossem minhas, como se lesses a minha mente ("I don't mind if you don't mind, I don't shine if you don't shine. Before you jump tell me what you find when you read my mind..."), e , sim, o que escreves tem muito eco cá dentro, tu própria tens um lugar sagrado aqui.
Mas a causa desta emoção está muito longe das palavras. As palavras são nada, reduzem-nos e eufemizam o que sentimos, perturbam o equilíbrio da lâmina afiada daquilo que sentimos, tira-nos o prazer de sentir o frio do aço a cortar-nos a pele da solidão para deixar sair isto que a gente tem e que não sabe dizer o que é. Mas também não importa o definir. Nós somos o que somos, e o que temos é tão grande e faz-nos tão maiores que palavras e definições, que a necessidade de entender perde-se no caminho até nós.
Apetece-me dizer-ta tantas coisas ("There are many things that I would like to say to you, but I don't know how") mas tudo o que te posso dizer é composto por palavras, por isso, fico por aqui e vou só ser eu, tu sabes o que isso significa.

quarta-feira, 28 de março de 2007

surpresas más

As pessoas que supomos conhecer acabam sempre por nos surpreender, mais tarde ou mais cedo, de uma maneira que acaba por acordar-nos para a realidade de que, se calhar, não as conhecemos assim tão bem, como julgávamos.
Hoje aconteceu isso. Eu, que acreditava conhecer o meu amigo, acordei para ver que, afinal, não! Porque estava o meu amigo à espera que eu concordasse com ele, quando difamava alguém que eu amo? Porque acreditava que eu ia discutir com ele avida de alguém que nem sequer presente estava, e sobre quem não tem qualquer direito? Dói-me o que fez, a forma como disse o que disse. Magoa-me a meneira como ouvi falar de uma pessoa tão especial, principalmente dada razão que trouxe ao assunto a tal pessoa ali ausente, no momento.
E o que me entristece, é que nas costas do meu anjinho eu vejo as minhas. Que dirá o meu amigo de mim? Que pensa ele de mim? "Conheço-te muito melhor do que o que pensas..." disse ele no meio do seu insultuoso discurso, "E eu junlgava conhecer-te melhor. Vejo que estava enganada." respondia eu na minha tristeza de acordar.
Como dizias tu, meu anjinho, eu também não sei porque as pessoas ficam contentes por acordar, eu fico triste.

quinta-feira, 22 de março de 2007

meu anjinho

Dada a razão de abertura deste blog, nada mais justo do que iniciar as minhas reflexões, precisamente sobre mim e o meu anjinho...
Eu poderia começar aqui a descrever um monte de sentimentos nobres e profundos que nutro por este ser silenciosamente apaixonante, mas não. Vou antes descrever o que não sinto. Não sinto medo de gostar tanto assim; não me custa encostar a cabeça ao seu ombro e dizer-lhe, sempre que tenho vontade, "Gosto tanto de ti!"; não sinto ciúmes das pessoas que possam estar perto, em vez de mim, não tenho ansiedade de estar na sua companhia; não acho pouco este sentimento bonito que temos, porque, e citando as suas palavras, mesmo correndo o risco de as profanar "fantástico sentir por alguém sobre quem não temos nenhum direito natural"; não sinto tristeza por esta pessoa não me ser nada, ser só o que é, e que para mim, é já tanto; não tenho dúvidas quanto à reciprocidade destas emoções tão subtis, e não me queimarei se puser as mãos no fogo por isso.
Que mais não sinto eu por ti, meu anjinho? Que dirias tu?
Tu que és, aparentemente tão racional, com uma atitude tão sóbria... Tu não dirias nada, palavras são somente palavras, não é verdade? São apenas meros artefactos aos quais recorremos frequentemente na prática da comunicação, são ilusórias e confusas e, tantas vezes, origem de desencontros eternos. Não gosto de palavras, gosto de ti, só assim. Ainda que também o comunique por palavras, tu sabes mesmo na ausência delas. Eu existir é uma forma de comunicação suficiente para que saibas disso, que te amo numa quantidade que é impossível definir.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Porque...

Bem, vamos começar...
Eu tenho 21 anos. Quando tinha cerca de 16 tive a minha saudável crise de adolescência. Foi uma época controversa, como não poderia deixar de ser, mas, apesar disso, foi uma época muito fértil, literariamente falando. Lia imenso, consumia tudo, bom, mau, intermédio, indefinido, mesmo tudo! Como feedback, também escrevia imenso e, a meu ver, muito bem, muito melhor do que estes romances light que agora estão muito na moda!
Acontece que por acaso, ou por obra de determinadas circunstâncias, erros de percurso que não me apetece relembrar, deixei subitamente de escrever...
Passaram alguns anos e conheci alguém que me faz sentir pena de já não saber escrever como o fazia nessa altura. Este meu anjinho escreve muito bem, as poucas palavras suas que tenho em papel estão, sem dúvida, entre as melhores que já li...
Então decidi criar este blog só mesmo para praticar a minha escrita, não para escrever bem, como o meu anjinho, só mesmo para conseguir voltar a fazer como fazia antes, e poder responder às suas cartas...