terça-feira, 17 de abril de 2007

Uma chuva anunciada!

O céu, lá fora está cinzento, a chuva faz-se anunciar.
O meu humor está como o céu, taciturno e vacilante. Hoje estive a pensar sobre o tempo. Como seremos nós daqui a 2, 3 anos? Haverá alguém neste preciso momento capaz de dizer, com relativa certeza, algo sobre aquilo em que nos tornaremos.

A minha resposta chegou violenta, sob a forma de um raiar claro sob as cinzas nuvens, e um som forte de trovão, a chuva ja não demora, decerto.
Se calhar ninguém sabe mesmo...
De que será capaz o tempo? Que mal ou bem nos fará? E a isto que a gente tem agora, e que somos capazes de jurar que não acabará nunca, também se afectará com este tempo cruel que nunca pára e nos vais (des)gastando cada dia mais um bocadinho? Cada vez que procuro uma destas respostas invede-me uma tristeza imensa pela minha impotência de acudir aos meus próprios devaneios. Como dizia o Caeiro, mais vale mesmo, é não pensar... de que me serve esta angústia, este medo do que há-de vir?

O vento bateu na minha porta e abriu-a. A sua melodia, ha pouco, triste, deu lugar a um assobio forte. A este rugido junta-se o murmurar das folhas, ainda jovens, das árvores do jardim, que ainda há pouco acordaram com o apelo da Primavera. Este murmúrio diz-me muito. o dilúvio está prestes a rebentar mas, estas folhas, no apogeu da sua juventude não estão minimamente preocupadas! Elas acabaram de despontar, e, por enquanto, haverá sempre um amanhã, por isso, continuam a agitar-se como se sobre elas brilhasse, na verdade um sol de Verão.

As comportas abriram finalmente! A chuva já cai destemidamente a lavar o pó das folhas, que, agora estão quietas e desfrutam apenas deste banho refrescante. Nelas não há preocupações nem canseiras. É Primavera e elas têm a certeza que a chuva passa, e depois regressará o se murmúrio, a sua vida, lavada pelas gotas revitalizantes desta chuva, mais brilhante que o próprio Sol.

Com esta lição das folhas, passou o meu humor taciturno e vacilante (ou terá sido com a chuva, que me lavou a alma?). Invadiu-me também uma certeza, que me faz sorrir e ficar feliz como uma criança. Tu estás aí para mim, como eu estou sempre aqui para ti!

"What a feeling in my soul! Love is brither than the sunshine. Let the rain fall, I don't care: I'm your's and suddently you're mine!"